quinta-feira, 25 de maio de 2017

Bernard Baudry Chinon Blanc 2014


Alexis Lichine sugeriu que "no que se refere a vinho, recomendo que se bote fora as tabelas de safras e manuais investindo apenas num saca-rolhas. O Vinho conhece-se bebendo!"

Este vinho não pede manuais nem teorias, apenas um saca rolhas, boa companhia e boa gastronomia. Assim foi, na companhia da minha esposa e boa gastronomia pelas mãos de André Antunes e Joana Vieira no restaurante Delicatum. E eis que nos aventuramos num fantástico Chenin Blanc de Chinon. Pureza e profundidade são os adjetivos deste vinho. Com aromas florais e cítricos, toques minerais e suportado por uma boa acidez este vinho encantou a olho nu no copo e no paladar.

Este é sem dúvida um vinho para ser apreciado por si só, sem influências externas nem com teorias. Subjetivamente. Com boa companhia e boa gastronomia. Foi o meu caso. E se tiverem tempo, só se tiverem tempo, nem que seja apenas 1 minuto, fechem os olhos: «On ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux» (Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.), Antoine de Saint-Exupéry

Ricardo Soares

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Vicentino Sauvignon Blanc 2014


Há vinhos que nos surpreendem por serem diferentes. Provei pela primeira vez este Vicentino Sauvignon Blanc num evento e as primeiras impressões não foram as melhores. Contudo, e porque por vezes tiramos ideias erradas neste tipo de eventos e feiras, devido às variadas provas vínicas e outros factores, decidi prová-lo novamente.


Acompanhou bem uns chocos crocantes, uns croquetes de choco com tinta preta e um bacalhau, no restaurante Delicatum, em Braga. A solo também é um vinho que cumpre bem a sua função.
No geral a prova foi positiva e que se refletiu num perfil vegetal e a fruta tropical, com boa acidez e frescura, e um leve toque salino. Chamem-me doido, e não fui o único a achar o mesmo, senti em toda a prova um leve toque a... marisco.
Aconselho mas como disse no início desta crónica, e porque já tive duas sensações com ele, é um vinho que creio ser "diferente" da generalidade dos Sauvignon Blanc que encontramos no mercado e que deve ser bebido e analisado per si.

Ricardo Soares

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Quinta Seara D'Ordens reserva tinto 2007


Bebi este Quinta Seara D'Ordens reserva tinto 2007 numa altura em que Portugal se preparava para a consagração de Salvador Sobral como vencedor do Festival Eurovisão da Canção 2017.


Enquanto a música pairava no ar este belíssimo Quinta Seara D'Ordens reserva tinto 2007 fez a sua magia e extasiou-me por completo. Mas que Douro...já tinha saudades de beber um duriense que me deixasse plenamente satisfeito. Enquanto o bebia a canção surgiu-me assim:

Beber pelos dois

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que me escondi para beber
Um tinto Seara D'Ordens de 2007
Extasiado e sem gota para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que não regresses, deixa-me a beber
Eu sei que não se bebe sozinho
Talvez, devagarinho, um dia possas beber

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que não regresses, deixa-me a beber
Eu sei que não se bebe sozinho
Talvez, devagarinho, um dia possas beber

Com bom envelhecimento e cor rubi
Aromas a fruta madura e notas florais
Elegância, macio, profundo e lacrimoso
O meu coração pode beber pelos dois



Ricardo Soares

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Adega Viúva Gomes tinto 1999


Há uns tempos contaram-me uma pequena piada que no meu caso se adapta perfeitamente a este vinho Colares da Adega Viúva Gomes 1999:

"Um produtor de vinhos convida um amigo para jantar e provar o vinho da última colheita.
O amigo, durante o jantar, leva o copo à boca, dá um gole e faz uma careta.
O produtor apercebendo da reacção do amigo, diz-lhe:
- eh pá asseguro-te que esta pinga é excelente para acompanhar qualquer comida!
Este, amigo da bebida como era, responde:
- Talvez, mas, neste caso, prefiro a pinga sozinha…"


Não quero, com esta piada, afirmar que não é um vinho gastronómico, muito pelo contrário, mas também é um vinho perfeito para beber a solo. Cada gole é um gole diferente e cada minuto é outro tempo...
Perdoem-me mas não me vou debruçar sobre a sua análise porque já relatei neste blog algumas provas da Adega Viúva Gomes e além disso é demais sabido que nutro uma especial preferência e apetência por todos os seus vinhos, tintos e brancos.

Chamo-lhe um figo!

Ricardo Soares

terça-feira, 9 de maio de 2017

Quinta da Pacheca reserva vinhas velhas tinto 2011


Começo por falar neste Quinta da Pacheca reserva vinhas velhas 2011 com uma adivinha:

"Qual é a coisa qual é ela,
Para casamentos e baptizados
a mim me chamarão,
para coisas de cozinha,
falem lá com meu irmão.
O que é?"

A resposta a esta adivinha define a minha prova. Confesso que não foi a melhor experiência, talvez por minha culpa, do vinho, da temperatura, das condições a que possivelmente esteve sujeito, do copo, do prato que o acompanhou... sei lá, variadíssimos factores podem ter contribuído para tal. Bebi no máximo 1 copo e meio...
Até considero que este Quinta da Pacheca não é mau de todo mas ou não correspondeu às minhas expectativas ou não está aliado ao meu perfil de vinhos.
Apresentou-se com um tom rubi carregado, nariz discreto, marcado pela fruta vermelha madura e a boca marcada por alguma frescura e taninos vivos.
No entanto achei o vinho bastante robusto, cheio, com o álcool a sobressair e na totalidade da prova sempre os mesmos aromas.

Éramos dois a beber e dos 750 ml de vinho bebeu-se aproximadamente 300 ml.

Ricardo Soares

P.S.: para quem não souber a resposta à adivinha aqui fica: - "vinho e vinagre"

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Areias Gordas rosé 2014


Tenho quase a certeza que Tomaz Vieira da Cruz leu o "conselho" de Herberto Hélder:

"Vou contar uma história. Havia uma rapariga que era maior de um lado que do outro. Cortaram-lhe um bocado do lado maior: foi de mais. Ficou maior do lado que era dantes mais pequeno. Cortaram. Ficou de novo maior do lado que era primitivamente maior. Tornaram a cortar. Foram cortanto e cortando. O objectivo era este: criar um ser normal. Não conseguiam. A rapariga acabou por desaparecer, de tão cortada nos dois lados. Só algumas pessoas compreenderam." Herberto Helder, in Photomaton & Vox

Perante a panóplia de vinhos existentes no mercado, com todos os sabores e mais alguns, "sinto" que hoje o vinho é objecto de constantes interferências, modificações e moldagens, consoante as circunstâncias e modas.

E contrariamente a tudo isso, na minha opinião, eis um vinho que é vinho: Areias Gordas. Seja ele qual for: branco, tinto ou rosé.
O vinho que agora vos apresento, o Areias Gordas Rosé 2014, surge-me inteiro, sem cortes, desmaquilhado, com as suas qualidades e defeitos, completamente despido e nu...totalmente diferente de tudo e de todos os rosés que já bebi e vejo por aí. Estamos perante um rosé delicado, elegante, desmistificado e longevo.
Vinificado com Tinto Cão, mostrou-se no copo com uma cor ténue salmonada (a foto, pela má qualidade, não mostra totalmente a cor), de aromas delicados e florais, num perfeito equilíbrio entre acidez e estrutura. É um Rosé seco, acompanha muito bem refeições mais ligeiras e perfeito para beber a solo.


Ainda bem que abasteci a garrafeira com Areias Gordas tinto, branco e rosé...mas temo que não durem muito.

Ricardo Soares

sábado, 6 de maio de 2017

Mateus Sparkling Rosé Brut Baga and Shiraz


Não me considerem crente nem "creiam" que estou neste momento a gozar mas digam todos comigo:

"Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos
que pequei muitas vezes
por pensamentos, palavras,
atos e omissões,
por minha culpa,
minha tão grande culpa...
..."

Não podemos ser só nós a escolher, a decidir e a "harmonizar". Com esta história, de estarmos constantemente a pensar em vinho, qual a próxima garrafa a abrir neste ou naquele almoço/jantar e a próxima garrafa a comprar, esquecemo-nos que os outros também têm vontades, impulsos e ideias. Por vezes o nosso modo de pensar, de falar e agir faz com que os outros se inibam de dar as suas próprias ideias. Sentimo-nos o "macho Alpha" vínico e esquecemo-nos que os outros também querem participar assumindo a liderança, liberdade e decisão na escolha do vinho.

Resumindo e concluindo esta minha pequena dissertação: - dei a "liberdade" à minha esposa pela escolha e compra de um espumante para bebermos e a escolha recaiu no Mateus Sparkling Rosé Brut Baga and Shiraz.

Confesso que me assustei, fiquei aterrado, petrificado, impávido, completamente siderado e descrente. Mas lá pensei que poderia não ser assim tão mau e...apresentou-se com uma cor rosada e salmonada, de inúmeras bolhas finas a dar alguma persistência e delicadeza, exibiu-se com notas florais e frutas primaveris, com bastante frescura e notória acidez. O final em si foi aromático e delicado.

É óbvio que o meu perfil de espumantes é outro mas tenho de dar a mão à palmatória e confessar que foi um serão agradável...

Ricardo Soares