terça-feira, 25 de abril de 2017

Porta dos Cavaleiros Branco 1979


Onde estava o Porta dos Cavaleiros Branco de 1979 na véspera do 25 de Abril?, foi a pergunta que me fiz quando cheguei à garrafeira pessoal.
E eis que, qual PIDE, lá o encontrei escondido no meio de toda a população vínica. Não sei se foi tortura ou não mas coloquei-o no frigorífico umas horitas antes de o consumir, creio que 4 horas dentro da câmara frigorífica foi o suficiente para ele refrescar as ideias e para eu colocar a leitura em dia de dois jornais originais que conservo dos respectivos dias 25 e 26 de Abril de 1974.


Findo este tempo decidi libertá-lo mas no início custou-lhe a falar. Não foi preciso muito, dei-lhe um abanão, sem grande violência, sem sangue, sem dor, sem ódio, e a partir daí chibou-se todo...


No meio dos seus 38 anos exibiu-se num tom dourado, límpido e brilhante. No nariz é aromático, com notas florais e minerais, ligeiras notas meladas, agradável e elegante. Na boca é um vinho com evolução, frescura, untuosidade e alguma persistência, excelente volume e acidez.

No dia 25 de Abril de 2017 derrubei uma garrafa e devolvi a liberdade ao vinho que estava preso há 38 anos.

Ricardo Soares

2 comentários:

  1. Certa vez, 15 anos lá se vão, ao visitar as Caves São João na Bairrada, levaram-me muito ao fundo, nenhuma luz e muita teia, garrafas muito sujas e foi aí que o senhor proprietário abriu uma garrafa de um branco datada "Colheita 1952" e, pela sua descrição, muito semelhante à sua "prisioneira".
    Não me surpreende, essa Cave tem a agilidade de produzir vinhos para a eternidade !!!

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    1. Bom dia,
      Eles têm esta capacidade de nos surpreender. Efectivamente as caves de São João conseguem obter, quase de forma única em Portugal,vinhos envelhecidos com sucesso.
      Abraço

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