segunda-feira, 8 de maio de 2017

Areias Gordas rosé 2014


Tenho quase a certeza que Tomaz Vieira da Cruz leu o "conselho" de Herberto Hélder:

"Vou contar uma história. Havia uma rapariga que era maior de um lado que do outro. Cortaram-lhe um bocado do lado maior: foi de mais. Ficou maior do lado que era dantes mais pequeno. Cortaram. Ficou de novo maior do lado que era primitivamente maior. Tornaram a cortar. Foram cortanto e cortando. O objectivo era este: criar um ser normal. Não conseguiam. A rapariga acabou por desaparecer, de tão cortada nos dois lados. Só algumas pessoas compreenderam." Herberto Helder, in Photomaton & Vox

Perante a panóplia de vinhos existentes no mercado, com todos os sabores e mais alguns, "sinto" que hoje o vinho é objecto de constantes interferências, modificações e moldagens, consoante as circunstâncias e modas.

E contrariamente a tudo isso, na minha opinião, eis um vinho que é vinho: Areias Gordas. Seja ele qual for: branco, tinto ou rosé.
O vinho que agora vos apresento, o Areias Gordas Rosé 2014, surge-me inteiro, sem cortes, desmaquilhado, com as suas qualidades e defeitos, completamente despido e nu...totalmente diferente de tudo e de todos os rosés que já bebi e vejo por aí. Estamos perante um rosé delicado, elegante, desmistificado e longevo.
Vinificado com Tinto Cão, mostrou-se no copo com uma cor ténue salmonada (a foto, pela má qualidade, não mostra totalmente a cor), de aromas delicados e florais, num perfeito equilíbrio entre acidez e estrutura. É um Rosé seco, acompanha muito bem refeições mais ligeiras e perfeito para beber a solo.


Ainda bem que abasteci a garrafeira com Areias Gordas tinto, branco e rosé...mas temo que não durem muito.

Ricardo Soares

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