domingo, 8 de outubro de 2017

Um Rosé de 2016 caseirinho...

Tinha parado de escrever no meu blog desarrolhar e só uma situação "do outro mundo" ou outra mais ridícula me faria vir até aqui...

Sem prémios, sem medalhas, sem publicidade nas revistas, sem pontuações desmedidas vos apresento este Rosé elaborado através das castas Loureiro e Trajadura e também outras castas mas de tinto, de 2016.
Não meus amigos... não tem marca, não tem selo, não está registado, não foi sequer aprovado por meia dúzia de gajos sabichões, não é de uma Quinta toda xpto com não sei quantos hectares nem têm enólogos, engenheiros e funcionários a trabalhar o vinho. Também nunca esteve em nenhum jantar feito com bloggers/enófilos/jornalistas só com o intuito de beber por beber, nunca esteve em confrarias tendo em vista harmonizações e nunca esteve em feiras e eventos vínicos. Pura e simplesmente não está à venda.

É um vinho criado por um casal de lavradores já "na casa" dos 60 e poucos anos, com as faces gretadas e as mãos calejadas, e tiveram a ajuda dos seus 2 filhos, na sua humilde casa em que a produção não ascende os 2 mil litros no Branco e os mil litros no Rosé.

Como disse no início desta crónica, só a título excepcional viria a este blog com novo texto.
E efectivamente este Rosé é um dos vinhos que mais me está a impressionar este ano. Um vinho capaz de encostar muitos muitos muitos, repito, MUITOS vinhos no mercado, congratulados, cheios de prémios e capas de revistas. Um vinho, na minha opinião, capaz de ensinar alguns enólogos e "doutores". Um vinho feito com suor e lágrimas e os conhecimentos que têm foram adquiridos ao longo dos tempos e transmitidos pelos antepassados.
Um grande vinho, nu e cru, sem misturas nem experiências, um excepcional Rosé, eu que não sou apreciador de Rosé...e se me dissessem, numa prova, que era um espumante Rosé eu acreditaria.

Posso não perceber um car&÷%€ de vinhos mas este soube-me muito bem, supremo.
Na minha garrafeira pessoal tenho grandes vinhos guardados para determinadas datas e cerimónias e de momento já os descartei...trouxe mais exemplares destes lavradores, branco e Rosé, e estarão reservados para as próximas cerimónias...
Inté...

Ricardo Soares

5 comentários:

  1. Olá Ricardo excelente post...já agora de onde é o produtor? Ainda terá vinho á venda?

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    1. Olá Rui,este vinho não está à venda. É de um casal de lavradores que o faz para consumo próprio e de restante família. A grande maioria das uvas são vendidas para um Grande produtor.

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  2. Bom texto . Da mesmo vontade de o provar.

    Abracos

    Paulo Vinhos

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    1. Paulo,acredita que é mesmo bom. Neste aspecto considero-me um sortudo. Abraço

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  3. Olá Ricardo Soares,
    Em primeiro deixe-me felicitá-lo pelo seu excelente post, o qual me deu imenso prazer em ler.
    Durante a leitura fui imediatamente transportado para algumas das melhores memórias que tenho, quando o tema em causa é o vinho.
    O Ricardo não sabe (nem podia saber), mas o concelho natal é o lindo concelho do Cartaxo, famoso (pensamos nós cartaxeiros) pelo vinho que produz.
    E neste concelho, ainda existem alguns produtores próprios que persistem (graças a Deus) na dura “arte” de fazer de fazer vinho, e que o comercializam nu e cru, sem rótulos ou qualquer marca associada, nas suas próprias adegas, onde se juntam várias pessoas em convívios que duram tardes inteiras.
    Isto tudo para dizer que, apesar de gostar imenso de vinhos engarrafados, todos XPTO ou não, para mim, nada bate a sensação de beber estes néctares acabadinhos de saírem dos toneis. Não consigo explicar porquê, mas pronto. E daí que o tal “Caseirinho” me tenha transportado para essas memórias, às quais em breve, juntarei mais algumas, com a abertura do “vinho novo” como lhe chamamos por estes lados.
    Por isso muito obrigado por este post.
    P.S. Só tenho pena que o produtor deste caseirinho não o venda, pois tinha mesmo muito gosto em o provar…
    Pedro Amorim

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