terça-feira, 23 de janeiro de 2018

1000 Curvas 2014 Chardonnay & Alvarinho


Em Maio de 2016, engarrafou-se a colheita de 2014, a primeira colheita deste estreante vinho, 1000 Curvas 2014 Chardonnay & Alvarinho que estagiou durante cerca de 20 meses em borras totais com fermentação selvagem.

Se eu fosse treinador e tivesse de avaliar um jovem jogador no seu primeiro jogo na 1ª Liga diria o seguinte:

"Este jovem estreante mostrou que tem espaço neste mercado e no meio de tantas estrelas pode este ano ganhar a titularidade e prémios. Nesta prova em especial fez uma exibição muito boa, mostrou que tem um potencial inegável e mostrou que é capaz de brilhar ao longo de toda a prova.
Apesar de ainda ser muito novo e um estreante nesta liga mostrou que tem uma maturidade acima da sua idade e da média, tem capacidades para crescer e desejo que fique muitos anos junto de nós.
Esta estreia é sinal do seu potencial, com uma progressão imensa e uma evolução significativa e nós estaremos cá para o acompanhar."

Ricardo Soares

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Cockburn's tawny port 10 anos



Há dias em que apetece ficar sozinho um dia inteiro. Não porque esteja chateado com alguém ou triste. Apenas apetecer ficar sozinho.

Sentado no sofá com o pensamento livre e com o telemóvel desligado e sem acesso às redes sociais. E de vez em quando levantar-me para petiscar qualquer coisa. Um longo instante, uma espécie de encontro do eu com o eu.

Este Cockburn's fez-me mergulhar das profundezas de onde saí para uma luz de âmbar e mel.

Nesta altura senti que a solidão é um luxo.

Ricardo Soares

domingo, 21 de janeiro de 2018

Barbeito Malvasia 10 Anos Reserva Velha



Gostava mesmo de poder mexer na vida. Se tivesse essa capacidade traria certos acontecimentos de volta.
Neste momento o relógio marca 438 horas (e não sei quantos minutos) desde a última vez que bebi este vinho, 438 horas sem o ver nem provar. Lembro-me bem quando o bebi, onde e com quem...
Não consigo dizer muito mais para além disso: - que este Barbeito me prendeu e não sei quantas horas serão necessárias para o esquecer.

Ricardo Soares

Espumante Luis Pato bruto


Desculpem, não posso ser hipócrita nem vestir o fato de marinheiro e pôr o disco da tempestade. Neste caso em concreto estou com o meu avô: "Contenta-te com o que tens, mais vale este do que nada."
Apenas isso.

Ricardo Soares

Quinta dos Abibes espumante arinto & baga reserva 2012


Gostava de escrever um texto que descrevesse na íntegra e que fosse tal e qual um daqueles espumantes memoráveis.

Se eu bem quisesse bastava publicar apenas a foto dele. Mas não chega...

Às vezes não basta, é preciso dizer algumas palavras. Por exemplo, a palavra "alumbramento" basta para o caso.

Garanto que não fui pago nem recebi direitos de autor para dizer isso. Ainda que justamente este espumante é obviamente um alumbramento.

Este espumante não é um plágio, é único. Quem sabe, sabe.

Ricardo Soares

Adega Viúva Gomes colares tinto 2008


Hoje vou com aquele vinho que me levar e se for um Adega Viúva Gomes vou com as suas mãos que acolhem e não se substituem.

Repito: se for um colares da Adega Viúva Gomes vou com as suas mãos que acolhem e não se substituem.

É por isso que neste dia frio e ao calor da lareira dissolvo-me no seu néctar.

Eu e Adega Viúva Gomes
Cumprimentamo-nos calorosamente.


Ricardo Soares

Quinta dos Abibes Sauvignon Blanc 2014


Nos meus dias mais felizes (nos dias mais tristes também fazem falta) quero um vinho bem vivo à mesa: Abibes.

Dias felizes, felizmente, tenho muitos e para isso basta um, por exemplo, Abibes.
Se não chegar abre-se outra, assunto resolvido (tenho sempre Abibes na garrafeira).

É um vinho que não é parecido com os demais. Único. De união. Uma espécie de casamento. Sem direito a divórcio. É a minha escolha. Um vinho para a vida: - Desarrolhar para sempre.

“se alguém se opõe a este matrimónio, fale agora ou cale-se para sempre” - não se atrevam a dizer uma palavra senão dou um tiro àquele que piar!

Ricardo Soares

Poço do Lobo Cabernet Sauvignon 1996


Às vezes apetece-me ser um trolha (sem qualquer desprestígio a quem trabalha nesta profissão) e dizer alto e bom som: - ó boa ó amor ó querida.

Não sou arquitecto nem vou fazer de conta que sou um arquitecto vínico, de esquadro numa mão, lápis na outra e cálculos na cabeça. Já não tenho paciência, nem conhecimentos, para aquelas arquitecturas dos xis aromas, xis taninos, xis fruta, etc...chega a um ponto em que tudo é a mesma coisa.

Não. Para mim o vinho não é isso, não são medições nem cálculos. É mais do que isso. E mesmo assim consigo construir catedrais.

Este vinho é um autêntico sino (ou um hino) de uma grande catedral. E quando passou à minha frente dei um piropo bem audível: - ó boa ó amor ó querida

Ricardo Soares

Quinta Seara d'Ordens branco 2014


Hoje prometo não escrever um grande texto nem uma história fictícia ou biográfica.

Apenas para dizer que este vinho é de facto um grande vinho. Tão certo como eu ser um ser humano.

Por vezes, raras, as coisas parecem ser o que são: - tal como este vinho é um grande vinho.

Há quem se dedique a descortinar vida fora inúmeros vinhos (sabores, aromas, cores, etc) e no fim, morra, sem ter percebido nada afinal. Que se lixe, eu também pouco ou nada percebo...

É a vida, a própria vida, quer queiramos ou não...

Mas uma coisa é certa: este vinho é de facto um belíssimo vinho.

Ricardo Soares

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quinta dos Abibes tinto reserva 2012


13/01/2018
Braga
20h13
- 1° C

Esposa
              Eu
                   Lareira
                         e
                                Abibes

Nesta noite fria de Inverno a harmonização perfeita. Predominantemente infinita: os Abibes sobrevoam junto de nós.

Cenário: o som do vinho e do crepitar do lume e o som de duas personagens que se amam.

Propriedades organolépticas: Este vinho ensinou-me que até prova em contrário tudo é possível. Visão, audição, paladar, olfato e tacto...este Quinta dos Abibes tinto reserva de 2012 ousou tocar no impossível.

E tocou,
              toquei,
                          tocamos!

Ricardo Soares

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Espumante Quinta dos Abibes Sublime 2009






















Já viram os Abibes a voar? Toca-se no céu quando se toca um corpo Sublime.

É uma espécie de homenagem que vem de longe, de outros lugares e de outros tempos: Beira Litoral, Aguim, 2009.

Já ouviram as melodias dos Abibes? Para nossa alegria às vezes vêm trazidas por um vento, sopro ou brisa.
























Comigo veio como o lume, neste início do ano. Uma espécie de música a romper.

Não está ao alcance de qualquer um: poderia ter vindo de Viena na voz de um violino, de um oboé, clarinete, trompete, carrilhões e sinos, xilofone, pratos, contrabaixo, tímpanos, bombos...ou talvez tenha vindo de uma semente a brotar num vaso da minha varanda, um riso dos meus vizinhos, o pulo de um Vanellus vanellus, um lamento ou uma alegria, um batel num rio aqui perto... ou qualquer coisa em que ninguém sequer reparou (ou não percebem nada do que estou para aqui a falar)!

















Comigo demorou-se como este sol de inverno neste primeiro dia de 2018, uma espécie de sol materno. E ficou comigo o resto do dia...esta música, esta ave que vem de longe.

Ricardo Soares