quinta-feira, 21 de junho de 2018

Batalha Vínica


Os jogadores de futebol serão talvez os únicos homens a beneficiar do dogma da absoluta masculinidade e inquestionáveis.

Abraçam-se e beijam-se em público, dão aquela palmadinha no rabo à vista de toda a gente, choram baba e ranho quando ganham e quando perdem, basta um toquezinho para se atirarem ao chão, nos flash interview dão a crença de que têm um patuá do outro mundo e sabem do que falam, são autênticos criadores de moda, etc.

Tudo absolutamente normal. Tudo é aceitável e pouco questionável. O relvado é um quadro de liberdade absoluta, não há outro espaço igual.

No mundo dos vinhos, nos grupos de Facebook e blogs, é diferente: beijos à Judas, palmadinhas à Pilatos e palatos duvidosos.
Basta um tipo dizer "ai" ou "ui" para que seja logo posto em causa a sua pessoa e o seu gosto pessoal. Surgem as batalhas vínicas; injúrias; difamações; contos e ditos (a maioria pelas costas); olhares de soslaio e frases ditas ao ouvido nos eventos e provas; mensagens privadas entre bloggers/produtores/enólogos e demais personagens; desamigar e bloqueios no Facebook; prudência nos comentários públicos e defesa de outrem porque não se sabe o que o fulano e o sicrano das suas próprias relações vão pensar, etc.

Mas nem tudo é mau no mundo dos vinhos. Também há coisas boas. Sim, há coisas boas. Pensando bem, talvez a maioria das coisas sejam boas.
Apenas cada um é como é... como um vinho: uma questão de gosto pessoal e de acordo com as suas possibilidades - de norte a sul; da esquerda à direita e dos cêntimos aos milhares.

Eu estou como o Hermann Melville: "Prefiro embarcar com um canibal sóbrio do que com alguém civilizado e bêbado."

Ricardo Soares

P.S.: "Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros (Jo 13,34)"

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