domingo, 30 de setembro de 2018

Boango branco 2016


Antes de falar do vinho tenho de obrigatoriamente falar do Hugo...o seu criador!

O Hugo consegue impregnar paixão nos seus vinhos, mas é uma paixão que implica "sofrimento". Ele e os seus vinhos não são "dados", não se fizeram sozinhos. Exigem uma dose de sofrimento. É necessário um trabalho duro e uma grande vontade para transformar uma paixão numa grande virtude, neste caso num vinho, no Boango.

Mas ao mesmo tempo noto, por força de algumas conversas privadas que vamos tendo, que a paixão do Hugo aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõem.

O Boango é a paixão do Hugo, que se torna uma força quando encontra saída no trabalho das suas próprias mãos ou na sua própria actividade criadora. Por outras palavras, sai-lhe do suor e do lombo.

Precisamente uma das principais premissas do Douro: não há recompensa sem uma dose de sofrimento, sem trabalho, sem suor, sem sangue...

O Hugo é o Hugo, o Hugo é o Douro, o Hugo é o Boango. 


Falando do Boango...disse uma vez ao Hugo: "eh pá, os teus vinhos são mais outonais, mais invernais, vinhos para tempos frios e chuvosos, para tempos mais acolhedores..." Nada mais errado, este Boango branco, neste tempo bem quente, cerca de 29.° graus, com uns rojões "bem puxados", caíram lindamente.
Com uma tonalidade amarelada brilhante, no nariz aromas a fruta madura e notas minerais, paladar algo macio, uma certa frescura e longevidade. Um vinho fresco para homens de barba rija. Um belíssimo vinho outonal, invernal, primaveril e para este "verão" ( que entretanto já acabou)...

O Hugo, o Boango, não são pessoas de ficarem à "espera que as sandes se façam sozinhas"... cabe também a nós entender e compreender o vinho!

Ricardo Soares

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