domingo, 1 de setembro de 2019

Cistus Garrafeira branco 2011


A saudade é uma espécie de tatuagem que nos crava: começam por parecer pequenas e vão crescendo até ganharem formas grandiloquentes. É preciso evitar a saudade ocupando sempre o espírito com novas sensações e novas imaginações.

Por exemplo, os vinhos também fazem parte destes estados de alma. Costuma-se dizer que o melhor vinho é o próximo mas quantos de nós não sente saudades de beber "aquele" vinho? Bebemos... bebemos... bebemos... estamos constantemente a beber e à procura "daquele" vinho e ele tarda sempre a aparecer.
Com este Cistus Garrafeira 2011 deixei as saudades para trás e glorifiquei o presente. Todos os grandes vinhos brancos que bebi até hoje foram dizimados por este Cistus. (Confesso que houve outro grande branco que despoletou idêntica reação em julho deste ano mas ainda permanece no segredo dos deuses visto que ainda não está no mercado, sobre ele falarei mais tarde... hoje reservo a crónica para este Cistus).

Mas que grande e belíssimo vinho este Cistus que o Pedro Costa, da Garrafeira do Jofre, reservou e teve a gentileza de partilhar comigo. Uma autêntica ode aos grandes vinhos durienses. Sem dúvida um vinho memorável, um vinho que fica cravado na memória, um vinho ainda à procura de adjectivos maiores, um vinho indizível...
Com uma estrutura invejável que nos envolve toda a boca, uma explosão de fruta madura, tudo numa profundeza e suavidade exímias, uma acidez e frescura que nos surpreende, todo o "trabalho" da barrica está lá em cada gota...

Era então que me considerava de volta a casa, a saudade de um grande vinho branco, a um grande vinho branco duriense.
Obrigado Pedro!
Respect

Ricardo Soares

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